Lobeira
Solanum lycocarpum
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- Bragança Paulista, Pinheirais
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 4
O lobo-guará planta o próprio pomar, e nem faz ideia disso. A fruta dessa árvore é tão importante pra ele que ganhou o nome do bicho: fruta-do-lobo, lobeira. Os pesquisadores dizem que ela chega a ser metade do cardápio do lobo-guará no Cerrado.
E aqui vem a parte genial: o lobo come a fruta, as sementes atravessam a barriga dele inteirinhas e saem do outro lado prontas pra germinar, ainda por cima já adubadas e longe da árvore-mãe. O lobo anda quilômetros por dia, então vai semeando lobeira pelo Cerrado afora. A árvore alimenta o lobo, o lobo planta a árvore. Um cuida do outro sem nenhum dos dois saber.
A fruta é grande, redonda, parece uma maçã verde que vai dourando quando amadurece. E não é só do lobo não: veados, tapitis e aves também comem, e o povo do Cerrado faz um doce de lobeira famoso com a polpa.
A flor dela também tem truque. É arroxeada, parecida com flor de tomate e de berinjela, que são parentas. E ela só entrega o pólen pra abelhas grandes, que agarram a flor e vibram o corpo no tom certo, fazendo o pólen sair como sal de um saleiro sacudido. Abelha pequena não tem força pra isso.
A planta inteira é feita pra aguentar o sol bravo: folhas aveludadas, meio acinzentadas, e uma resistência de dar inveja à seca do planalto.
Essa não é daqui do litoral. A foto eu fiz numa viagem, em Bragança Paulista, onde o clima já vai lembrando o Cerrado dela.
Fica a história pra guardar: tem uma árvore no Brasil que depende de um lobo pra se espalhar, e um lobo que depende dessa árvore pra viver. Se um sumir, o outro sente. É assim que a natureza amarra os nós dela.