Cássia-do-nordeste
Senna spectabilis
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- São Paulo, R. Acurui
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 4
A flor dessa árvore não entrega o pólen pra qualquer um. Ela tem sete peças carregadas de pólen, umas maiores e outras menores, e ainda três que são pura enganação: parecem iguais às outras, mas estão vazias, não têm nada dentro. Enfeite de vitrine.
Nas cássias desse grupo, a abelha que quer o pólen precisa abraçar as peças do meio e chacoalhar, vibrando o corpo até o pó sair por um furinho na ponta. Abelha que não sabe fazer isso pousa, procura, não acha nada e vai embora de mãos vazias. Quem sabe vibrar leva o almoço e sai suja de pólen, e é assim que a árvore consegue mandar recado pra flor da árvore vizinha.
A florada dela é aquele amarelo que se vê de longe, em cachos grandes na ponta dos galhos, de dezembro até abril por aqui. Depois vêm os frutos, de março a julho, e são a parte mais esquisita: em vez da vagem chata que a gente espera de um pé de feijão, sai um canudo roliço, comprido, que pode passar de vinte centímetros. Parece mais um cano do que um feijão.
É árvore nativa nossa, e não das grandes: aqui em São Paulo os botânicos registram ela entre dois metros e meio e oito metros, na mata úmida do litoral, das bandas de Ubatuba e Iguape. Mas como floresce desse jeito, virou queridinha de calçada e de praça, e hoje tem cássia amarela plantada em cidade que nunca teve mata perto.
Essa eu fiz em São Paulo, no meio da cidade. A Déia perguntou o que era aquele amarelo todo em cima do carro estacionado.
Fica a dica pra quando você encontrar uma dessas carregada de flor: antes de olhar, escute. Se tiver abelha grande trabalhando lá em cima, dá pra ouvir a vibração antes mesmo de enxergar o bicho.