Japu
Psarocolius decumanus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Visconde de Mauá
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 7
O japu é um tecelão. Ele tece o ninho com fibras e folhas, fio por fio, até formar uma bolsa comprida que fica pendurada no galho, balançando no vento. E não é um ninho só: numa mesma árvore alta podem se pendurar dezenas dessas bolsas, uma colônia inteira, que de longe parece uma árvore enfeitada de sacolas gigantes.
Tem lógica nessa arquitetura: ninho pendurado na ponta do galho, balançando no ar, é muito difícil de invadir. A maioria dos predadores desiste antes de tentar.
O japu é grande, escuro, com uma cauda amarela viva que acende quando ele abre as asas, um bico forte e claro e até uma pequena crista que ele levanta na cabeça. Os machos são maiores que as fêmeas, e é fácil notar quando o bando se junta nas árvores mais altas.
Na hora de conquistar, o macho faz um show: canta se debruçando no galho, num número ensaiado de sons e reverências, enquanto as fêmeas avaliam a apresentação.
Nem tudo é paz na colônia. O chupim, aquele que não cria os próprios filhotes, ronda os ninhos tentando deixar os ovos dele lá dentro pros japus chocarem sem saber. É um jogo de gato e rato nas alturas.
No dia a dia, o japu come frutas e insetos, e vai espalhando as sementes das frutas por onde passa, ajudando a floresta a se replantar.
Essa foto fiz em Resende, onde um bando se movimentava pelas árvores altas.
Se um dia você avistar uma árvore com bolsas compridas penduradas, já sabe: aquilo não é enfeite. É um prédio de apartamentos tecido à mão.