Baga-de-macaco

Posoqueria acutifolia

Grupo
Plantas · árvore
Onde foi registrada
Queluz
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Fotografias
3

Sabe o que as flores dessa planta aprontam com as visitas? Dão um peteleco de pólen nelas. As flores desse grupo têm um mecanismo de gatilho: quando a mariposa enfia a língua comprida no tubo da flor, os estames armados disparam feito uma catapulta em miniatura e jogam o pólen em cima dela. A mariposa veio jantar e sai carimbada, levando a encomenda pra próxima flor.

E o jantar é servido em horário especial. As flores são brancas, compridas como agulhas, e é ao anoitecer que elas soltam um perfume forte, chamando as mariposas-esfinge, aquelas que voam paradas no ar feito beija-flor da noite. Só quem tem língua bem comprida alcança o néctar no fundo do tubo. A flor escolheu o cliente a dedo.

De dia, a planta é discrição: um arbusto forte, quase arvorezinha, de folhas firmes, vivendo no meio da mata úmida onde a luz chega filtrada. Ninguém diria que à noite ela vira essa casa de espetáculos perfumada.

Depois do trabalho das mariposas vêm os frutos, redondos e carnudos, e aí o nome popular se explica sozinho: baga-de-macaco. Os macacos e as aves maiores comem a polpa no verão e vão soltando as muitas sementes pela mata, plantando as próximas gerações.

A da foto encontrei em Queluz, na serra do vale do Paraíba, com essa cara de arbusto comportado. Quem passasse por ali nem desconfiava da catapulta armada dentro de cada flor.

Uma flor que perfuma a noite, escolhe as visitas e ainda atira pólen nelas. Quando alguém disser que planta é tudo igual e parada, você já tem essa história na manga.

Baga-de-macaco (Posoqueria acutifolia), plantas, fotografado em Queluz Baga-de-macaco (Posoqueria acutifolia), plantas, fotografado em Queluz Baga-de-macaco (Posoqueria acutifolia), plantas, fotografado em Queluz

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