Baguaçu

Magnolia ovata

Grupo
Plantas · árvore
Onde foi registrada
Itamonte
Status de conservação
Pouco preocupante (LC)
Endêmica do Brasil
Sim
Fotografias
4

Essa flor é mais antiga que as abelhas. O baguaçu é uma magnólia, e as magnólias vêm de um tempo tão fundo da história das plantas que, quando as primeiras apareceram, abelha ainda nem existia. Quem polinizava eram os besouros. E até hoje é assim: a flor do baguaçu não espera abelha, ela chama besouro, do jeito antigo.

E o jeito de chamar é incrível: a flor esquenta. Os cientistas mediram, aqui em matas de São Paulo: na primeira noite, a flor abre a parte feminina e aquece por umas três horas. Na segunda noite, oferece o pólen e aquece de novo, chegando a ficar uns dez graus mais quente que o ar. O calor espalha o perfume forte na escuridão e faz da flor um quarto aquecido, onde os besouros entram, se aquecem, se lambuzam de pólen e depois levam a encomenda pra flor seguinte.

A flor merece a fama: grande, creme, perfumada, abrindo sozinha no meio da folhagem escura. Uma flor de dinossauro, funcionando até hoje no mesmo capricho.

Depois vem o fruto, parecido com uma pinha, que amadurece no verão e se abre mostrando sementes embrulhadas em vermelho vivo. É o sinal que as aves grandes da mata esperavam: elas vêm buscar o embrulho e semeiam baguaçu por onde passam.

Ele gosta de lugar úmido: mata de brejo, beira d'água, chão que nunca seca de vez. Essa foto fiz numa viagem a Itamonte, na serra, onde encontrei esse exemplar bonito.

Quando você vir uma flor grande e solitária de magnólia, pensa nisso: é um convite que vem sendo feito do mesmo jeito, de noite e no quentinho, desde antes de existir abelha no mundo.

Baguaçu (Magnolia ovata), plantas, fotografado em Itamonte Baguaçu (Magnolia ovata), plantas, fotografado em Itamonte Baguaçu (Magnolia ovata), plantas, fotografado em Itamonte Baguaçu (Magnolia ovata), plantas, fotografado em Itamonte

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