Itapotihyla

Itapotihyla

Grupo
Anfíbios
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Fotografias
2

Tem uma perereca que toca castanhola. O canto do macho lembra tanto o estalo daquele instrumento de madeira das dançarinas de flamenco que o bicho ganhou o nome de perereca-castanhola. Uma noite de mata com elas cantando vira quase um espetáculo de dança espanhola.

E não é uma perereca qualquer: é uma das gigantes da Mata Atlântica, chegando a uns dez centímetros. Uma perereca do tamanho da palma da mão de uma criança.

O outro apelido dela entrega o segundo talento: perereca-musgo. A pele é toda cheia de verruguinhas e glândulas, com um desenho que imita perfeitamente o musgo e o líquen dos troncos. Ela passa o dia agarrada numa árvore, fingindo ser um pedaço de casca esverdeada, e ninguém percebe que ali tem um bicho.

Quando chega a época de reprodução, os machos descem até a beira de poças e riachos calmos dentro da mata e começam o estalado das castanholas, chamando as fêmeas.

Essa foto fiz aqui em Maresias, de noite. De dia eu podia passar mil vezes pelo mesmo tronco sem ver nada: o disfarce de musgo dela é bom demais.

Se um dia você ouvir na mata um estalo seco, ritmado, repetido, presta atenção. Pode não ser galho quebrando. Pode ser a castanhola verde tocando pra plateia nenhuma ver.

Itapotihyla, anfíbios, fotografado em Maresias, São Sebastião Itapotihyla, anfíbios, fotografado em Maresias, São Sebastião

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