Cobra-cipó
Chironius foveatus
- Grupo
- Répteis
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 3
Um cipó que se mexe sozinho. É essa a primeira impressão que a cobra-cipó-litorânea causa: corpo fininho, comprido, verde-oliva puxando pro marrom, esticado no meio da vegetação. Até o vento balançar errado e o cipó sair andando.
Ela é a cobra-cipó da beira do mar. Enquanto parentes vivem mata adentro, essa é filha do litoral: vive na restinga, nas matas de baixada e nas bordas de floresta coladas na praia, ao longo da costa da Mata Atlântica. Vizinha nossa, de carteirinha.
O expediente é de dia, e o estilo é velocidade. Ela patrulha arbustos e galhos com uma agilidade impressionante, o olho grande atento a tudo, caçando principalmente pererecas e lagartinhos em investidas rápidas. Entre um galho e outro, se move como se o mato inteiro fosse um corredor só dela.
Veneno perigoso não tem. Se for acuada, infla e achata o corpo pra parecer maior, um blefe clássico, mas a resposta de verdade é sempre a mesma: sumir em disparada. O jeito vivaz engana muita gente, que a confunde com cobra brava. É só pressa, não braveza.
A fêmea bota os ovos em abrigos protegidos na estação quente, e os filhotes nascem prontos pra vida acrobática entre os galhos.
Essa foto fiz no caminho da praia, aqui em Maresias. Ela estava exatamente onde manda o figurino: no meio da vegetação da restinga, fingindo ser mais um cipó. Agora, quando a gente passar por ali, olha os arbustos com atenção: um deles pode estar te olhando de volta.