Embaúba-branca
Cecropia hololeuca
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- Resende
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 3
No meio do verde da serra, de repente aparece uma árvore prateada. Parece que alguém pintou a copa dela de branco brilhante. É a embaúba-branca: as folhas enormes, em formato de mão aberta, são cobertas por uma penugem branquinha que reflete a luz do sol. Dá pra reconhecer ela de longe, do outro lado do vale.
Mas o segredo mais incrível dessa árvore mora dentro dela. O tronco e os galhos são ocos, e nesses corredores vazios vive um exército de formigas. Elas ganham casa de graça, mas pagam o aluguel do jeito delas: qualquer bicho que tentar mastigar as folhas leva uma recepção nada amistosa. A árvore dá o teto, as formigas dão a segurança. Sociedade fechada há milhares de anos.
E tem mais gente na história. A embaúba é generosa: dá fruto quase o ano inteiro, quando muita árvore da mata está de mãos vazias. Por isso a freguesia é enorme: tucano-de-bico-verde, aracuã, gralha, pica-paus, saíras, morcegos no turno da noite. E nas folhas, dois fregueses dos mais queridos: o bugio e a preguiça, que sobe devagarinho pra comer as folhas novas.
Ela também é do time das apressadas. Quando abre uma clareira na mata, uma árvore que caiu, um canto machucado, a embaúba é das primeiras a chegar. Cresce rápido, faz sombra, segura o terreno e prepara o lugar pras árvores mais lentas virem depois. Os estudiosos chamam isso de árvore pioneira: ela abre o caminho pra floresta se refazer.
Essa da foto encontrei numa viagem a Resende, com a copa prateada se destacando na encosta, do jeito que ela gosta.
Quando a gente andar pela estrada e você ver um brilho prateado no meio do morro verde, pode apontar: aquela ali é a árvore que tem porteiro, restaurante e hotel, tudo dentro dela.