Guaiamum
Cardisoma guanhumi
- Grupo
- Crustáceos
- Onde foi registrada
- Ubatuba, Domingas Dias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 3
Existe um caranguejo azul que cava poço. O guaiamum mora na terra, na areia da restinga e na beira do mangue, mas precisa de umidade pra viver. A solução dele? Cavar um túnel fundo, tão fundo que chega lá embaixo, onde a areia guarda água. A casa dele vem com poço no porão.
E o azul não é força de expressão: tem guaiamum de um azul de tirar o fôlego, principalmente os machos, que ainda carregam uma pinça bem maior que a outra. É um caranguejo grande, de carapaça larga, imponente, andando pela restinga como o dono do pedaço.
Ele quase não come carne: prefere folhas, frutas e sementes que caem das árvores. E faz estoque: carrega comida pra dentro da toca, como quem enche a despensa. Sai pra comer de noitinha, nas noites úmidas, e some da vista de dia.
Agora, o mais bonito: mesmo vivendo em terra a vida toda, ele não consegue se soltar do mar. Quando chega a época dos filhotes, a mãe desce carregando os ovos até a água salgada, muitas vezes acertando o passo com a maré e com a lua, e solta as larvas no mar. Os filhotinhos crescem boiando por lá e depois voltam pra terra, pra cavar seus primeiros poços.
Por ser grandão e saboroso, o guaiamum foi muito capturado, e hoje é protegido: tem época em que não pode pegar, tem tamanho que não pode tirar. Ver um solto por aí ficou raro em muitos cantos.
Esse da foto encontrei numa praia chamada Domingas Dias, em Ubatuba, atravessando o caminho com toda a calma de quem sabe que é especial.
Se um dia a gente cruzar com um, fica só olhando: um caranguejo azul, de poço próprio, com despensa cheia. Um vizinho e tanto.