Gralha-azul
Cyanocorax caeruleus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Cananéia
- Status de conservação
- Quase ameaçada (NT)
- Fotografias
- 3
Essa ave planta árvores. De verdade, com direito a cova e disfarce por cima. A gralha-azul pega o pinhão, a semente da araucária, e vai martelando com o bico até enterrar a semente inteirinha no chão. Depois, olha o capricho: cobre o lugar com uma folha, uma pedrinha ou um graveto, pra disfarçar a escavação e ninguém achar o esconderijo.
O plano dela é guardar comida pra depois. Só que a gralha esconde tanto pinhão que não lembra de todos. E cada pinhão esquecido embaixo da terra faz exatamente o que semente faz: vira árvore. Florestas inteiras de araucária cresceram de lanches que uma gralha esqueceu de comer.
E ela é linda de parar qualquer um: azul vivo no corpo, com a cabeça, a garganta e o alto do peito pretos. Uns 40 centímetros de pássaro elegante. Macho e fêmea usam a mesma roupa, a fêmea só costuma ser um pouco menor.
A gralha-azul é da família dos corvos, uma das turmas mais espertas entre todas as aves. Dá pra ver na esperteza do disfarce da cova: não é qualquer bicho que esconde comida e ainda apaga as próprias pistas.
Vivem em grupos barulhentos e unidos, conversando alto pela mata. Onde uma vai, as outras vão atrás.
Essa foto fiz em Cananéia, no litoral sul, numa viagem que valeu por muitas. Quando ela apareceu, azul daquele jeito no meio do verde, foi impossível olhar pra outra coisa.
Fica a ideia: tem floresta em pé hoje porque uma gralha esqueceu onde escondeu o almoço. Esquecer, às vezes, é plantar.