Graviola-silvestre
Annona montana
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 3
Parece graviola, é parente da graviola, mas é a versão selvagem que a mata inventou. A fruta engana qualquer um de longe: verde, arredondada, com aquela casca de espinhos moles. Só que quem prova descobre a diferença: a polpa branca é mais fibrosa e bem menos doce que a da prima famosa. Os apelidos que o povo deu pra ela não perdoam.
Mas essa prima do mato guarda um talento que pouca gente conhece: ela empresta as raízes. Os fruticultores plantam a graviola-silvestre, que é forte e rústica, e emendam em cima dela um galho de graviola boa. O galho da prima fina cresce sustentado pelas raízes valentes da prima selvagem. Por baixo da terra, muita graviola gostosa é, na verdade, metade araticum.
As flores dela são do jeito da família: grossas, cerosas, discretas, de pétalas duras. E quem faz o serviço de levar o pólen não são abelhas, são besouros, que entram na flor como quem entra numa casinha. É um costume antigo desse grupo de plantas, de muito antes das abelhas dominarem o mundo das flores.
Quando as frutas amadurecem, do fim do verão até maio, a bicharada não faz a mesma cara feia que a gente: bichos do mato e aves comem a polpa sem frescura e vão espalhando as sementes brilhantes pela mata.
Essa do retrato mora aqui em Maresias mesmo. E fica a moral da história: nem toda fruta boa é doce. Tem fruta cujo valor está escondido debaixo do chão, nas raízes que seguram a prima famosa no colo.