Angico
Anadenanthera colubrina
- Grupo
- Plantas · árvore
- Onde foi registrada
- Cabreúva
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 2
Muito antes de existir fábrica de curtume, quem queria transformar couro cru em couro bom ia buscar casca de angico. Um aviso antes de continuar: angico é nome de várias árvores muito parecidas entre si, e essas histórias são dos angicos em geral, não de uma só. A casca delas é carregada de tanino, uma substância amarga que amarra a fibra do couro e faz o couro durar em vez de apodrecer. Foi assim por séculos, e ainda hoje o angico entra nessa indústria.
E não parou aí. No sertão, a casca e a goma dos angicos são remédio de casa há muito tempo: fervem pra tosse, pra garganta, pra problema de peito. A goma é aquela resina que escorre do tronco quando ele se machuca e endurece grudada na casca, tipo bala de árvore. Tem estudo científico sério em cima disso, o que é raro de acontecer com remédio de quintal.
A árvore em si é enganosa. De longe parece de folha rala, quase transparente, e a sombra dela no chão vira uma renda de luz e sombra que fica se mexendo com o vento. De perto você entende o motivo: cada folha do angico é dividida, e dividida de novo, até virar centenas de folhinhas do tamanho de um grão de arroz. Numa folha só dá pra passar de mil pedacinhos.
A flor não tem cor nenhuma pra chamar atenção: são bolinhas esbranquiçadas, meio cinza, espalhadas pelos galhos entre outubro e março. Quem chama, chama pelo cheiro e pela quantidade, e quem atende é inseto.
O fruto é uma vagem comprida, que pode passar de vinte centímetros, de casca dura e brilhante. Mas o melhor está dentro: a semente do angico é redonda, chata e fina como papel, do tamanho de uma moeda, com uma bordinha em volta que parece asa. Não é semente de cair pesado no chão, é semente de planar.
Aqui em São Paulo ele é árvore de mata do interior, dessas que perdem parte das folhas na seca, e os botânicos dizem que ele prefere o pé da serra e o fundo dos grotões, aqueles vales apertados entre morros onde a água escorre.
Esse eu fotografei em Cabreúva, no interior do estado.
E fica uma pergunta pra você pensar: por que o angico faz semente fina feito papel, em vez de semente pesada de cair no pé do tronco? Porque semente que plana não fica amontoada debaixo da mãe. Ela sai pra procurar o próprio lugar.