Tesourinha
Tyrannus savana
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 12
A tesourinha carrega uma tesoura aberta atrás do corpo. A cauda dela é comprida, compridíssima, dividida em duas lâminas pretas que se abrem e fecham no ar. E não é enfeite: essa cauda funciona como leme. É ela que permite as freadas bruscas, as viradas impossíveis e os voos acrobáticos com que a tesourinha caça insetos no ar, sobre os campos.
No macho, a tesoura é bem mais longa que na fêmea: a cauda sozinha chega a ser mais comprida que o corpo inteiro de muitos passarinhos. Voando, a silhueta dela é inconfundível: corpo claro, costas acinzentadas, e aquela cauda preta riscando o céu.
Ela gosta de campo aberto: fica pousada em cerca, poste ou topo de arbusto, vigiando, e dali dispara atrás das presas. Em certas épocas come também frutinhas, pra variar o cardápio.
E não se engane com a elegância: a tesourinha é valente. Na época do ninho, defende seu pedaço com bravura e parte pra cima de aves muito maiores que ela, tocando pra longe quem chegar perto demais. Ninguém mexe com a família da tesourinha.
Tem ainda o lado viajante: parte das tesourinhas migra conforme a estação, e antes dessas viagens elas se reúnem em bandos pra dormir juntas, dormitórios inteiros de tesouras penduradas nos galhos.
Essa foto fiz em Cunha, na serra, onde o campo abre e ela reina nas cercas. Quando você cruzar uma estrada de campo, olha os fios e os moirões: se tiver um passarinho de cauda impossível, comprida demais pra fazer sentido, é ela.