Chorão
Sporophila leucoptera
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Indaiá
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 5
Esse passarinho canta como quem chora. O canto do chorão é um assobio melancólico, subindo devagar, repetido sem pressa nenhuma, e é dele que vem o nome. Em São Paulo tem gente que chama de patativa-chorona. Ainda de madrugada, antes do sol, já dá pra ouvir esse lamento suave vindo dos capins.
Mas não se engane com a tristeza do canto: o dono é pequeno, ágil e cheio de vida. O macho tem o peito e a barriga bem brancos e uma mancha branca na asa que aparece quando voa. A fêmea é parda, discreta, feita pra sumir no meio do capinzal.
O bico curto e grosso, em formato de cone, conta qual é o ganha-pão: sementes. O chorão vive de debulhar semente de capim, e por isso a casa dele é onde o capim é alto: brejo, campo úmido, beira de vereda, pasto crescido.
Quando chegam as chuvas e os capins ficam carregados de sementes, é festa e é namoro. O casal marca seu território e constrói um ninho em forma de taça, escondido entre os tufos de capim. Nessa época, além das sementes, entram uns bichinhos no cardápio, reforço pra criar os filhotes.
Essa foto eu fiz no Indaiá, em Caraguatatuba. Ele estava num poleiro baixo, no posto de sempre.
E aqui vai um pedido junto com a história: passarinho de canto bonito sofre com gente que prende em gaiola. O chorão canta melhor onde sempre cantou, no capim alto, de manhã cedinho, de graça pra quem passar.