Pássaro-preto
Gnorimopsar chopi
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Indaiá
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 3
Esse pássaro canta em dupla. O casal canta junto, um encaixando a voz na do outro, coisa que pouquíssimos pássaros do mundo fazem. E tem mais: a fêmea canta de verdade, tão afinada quanto o macho, o que também é raridade entre os passarinhos.
É o pássaro-preto, que muita gente conhece como graúna ou chopí. Todo negro, dos pés ao bico, com um brilho discreto na pena. E quando resolve cantar, capricha até no visual: arrepia as penas da cabeça e do pescoço, como quem se ajeita antes do show.
O nome chopí, aliás, é ele quem diz. É um dos sons que ele faz, e o povo transformou o grito em nome.
De manhã cedo, os bandos soltam aqueles chamados metálicos, variados, que enchem o campo. Porque ele é de bando mesmo: vive em grupo, conversa alto, pousa em fila nos fios e nas cercas.
Pra comer, desce no chão e vai revirando folhas e até esterco de gado atrás de insetos. Muitas vezes acompanha os bois de perto, aproveitando os bichinhos que se agitam quando o gado pisa. Junto vão sementes e frutinhas, cardápio de quem não faz doce.
Na hora do ninho, vale quase tudo: um emaranhado de vegetação, um tronco oco, um buraco velho de pica-pau e até casa abandonada de joão-de-barro. Ele não constrói palácio, ele resolve.
Essa foto fiz no Indaiá, em Caraguatatuba: um bando tinha tomado conta dos arredores, todo mundo conversando alto ao mesmo tempo, e eu fiquei um tempo ali parado, só escutando aquela assembleia de penas pretas.
E fica uma dica de ouvido: se um assobio te parecer afinado demais pra ser um pássaro só, desconfia. Pode ser o casal, cantando a dois.