Bico-de-lacre
Estrilda astrild
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Indaiá
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 4
O bico-de-lacre chegou ao Brasil de navio. Esse passarinho miúdo é africano de nascença, e atravessou o oceano em gaiolas, trazido nos navios mercantes portugueses de séculos atrás. Aqui, alguns escaparam das gaiolas, e os fugitivos foram tomando conta: hoje tem bico-de-lacre em capinzal de quase todo o país.
O nome vem do bico vermelho vivo, cor de lacre, aquela cera que antigamente se derretia pra selar cartas importantes. Além do bico, ele carrega uma faixinha vermelha atravessando o olho, como uma pinturinha, contrastando com o corpo acinzentado cheio de barrinhas finas.
Ele nunca anda sozinho. É bicho de bando: um monte deles desce junto no capim, cada um debulhando semente com uma eficiência impressionante pra um corpo tão pequeno. Quando o bando levanta, o voo é curto e ondulado, todos juntos, conversando o tempo todo.
Essa foto fiz no Indaiá, em Caraguatatuba, e foi o Kaian quem viu primeiro: um bando inteiro pendurado nos capins, balançando os talos com o peso de passarinho, que é quase peso nenhum.
Na hora de criar, o capricho: o casal tece um ninho de capim em formato de bola, com entrada pela lateral, escondido nas moitas. Em ano bom, criam várias ninhadas seguidas, e o bando só cresce.
Quando passar por um terreno de capim alto, repara se os talos estão balançando sem vento. Pode ser um bando de africaninhos de bico vermelho, netos de fugitivos de gaiola, debulhando o almoço.