Prosthechea aemula

Prosthechea aemula

Grupo
Plantas · orquídea
Onde foi registrada
São Sebastião, Boiçucanga
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Fotografias
3

Dentro de uma única cápsula dessa orquídea cabem milhares de sementes, e cada uma tem mais ou menos o tamanho de um grão de poeira. Quando a cápsula seca e racha, o vento leva tudo. Uma nuvem inteira de futuros, saindo de uma flor só.

Só que tem um detalhe cruel: a semente de orquídea sai de casa sem marmita. Ela não carrega reserva de comida nenhuma dentro, ao contrário da semente de feijão ou de manga. Pra brotar, precisa cair exatamente onde vive um fungo do tipo certo, invisível, escondido na casca da árvore, e fazer sociedade com ele. O fungo alimenta a plantinha nos primeiros tempos, até ela conseguir se virar sozinha.

A conta é dura. De cada milhar de sementes, quase nenhuma acha esse endereço. É por isso que uma orquídea adulta agarrada num tronco não é só uma planta bonita: é o resultado de uma loteria que quase ninguém ganha.

Essa aqui, quando ganha, cresce em touceira, com bulbos alongados segurando uma ou duas folhas duras no alto. As hastes sobem eretas ou arqueadas e carregam várias flores de tamanho médio, com o labelo bem definido, aquela pétala do meio que serve de pista de pouso.

E ela guarda um perfume suave, mais perceptível nas horas mais frescas do dia. Não é cheiro de graça: é anúncio, endereçado às abelhas que fazem o trabalho de levar o pólen de uma flor pra outra.

A temporada é o outono, abril e maio.

Essa foi em Boiçucanga, numa árvore de mata de encosta. A mata guarda essas joias sem ninguém pedir.

Quando você vir uma orquídea nativa florida num tronco, pensa nas milhares de irmãs dela que o vento levou e que não deram em nada. Aquela ali venceu.

Prosthechea aemula, plantas, fotografado em Boiçucanga, São Sebastião Prosthechea aemula, plantas, fotografado em Boiçucanga, São Sebastião Prosthechea aemula, plantas, fotografado em Boiçucanga, São Sebastião

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