Pardal
Passer domesticus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 13
O pardal chegou ao Brasil de navio. Isso mesmo: há uns cento e vinte anos, soltaram no Rio de Janeiro umas duas centenas de pardais trazidos da Europa, na esperança de que eles ajudassem a comer os insetos que atormentavam a cidade. Os pardais desceram do navio, olharam em volta, gostaram do que viram e nunca mais foram embora. Hoje estão em praticamente toda cidade do país.
O segredo dele é ser colado na gente. Pardal quase não entra na mata fechada: ele mora onde a gente mora. Beiral de telhado, vão de muro, praça, mercado, quintal. Onde tem gente, tem migalha, tem grão caído, tem cantinho pra fazer ninho. A gente construiu cidades, e sem querer construiu o mundo perfeito pro pardal.
E ele é atrevido do jeito bom: persistente e engenhoso, capaz de fuçar embalagem e aproveitar toda chance que aparece no rastro do nosso dia a dia. De comida, vai de sementes e restos, mas pros filhotes ele caça inseto, que criança precisa de alimento forte.
Reconhecer é fácil. O macho tem a boina cinza, a nuca castanha e um babador preto no peito, como quem amarrou um guardanapo pro almoço. A fêmea é castanha e discreta, com uma sobrancelha clarinha.
No fim da tarde vem o espetáculo deles: os bandos se juntam pra dormir em árvores e beirais, todos falando ao mesmo tempo, uma algazarra de fim de expediente.
Essa foto fiz aqui em Maresias, num dia em que o Kaian me chamou: pai, vem ver quantos! Era um bando deles na maior conversa.
O pardal é tão comum que a gente esquece de olhar. Mas agora você sabe: cada um deles é neto dos viajantes que desceram de um navio faz mais de um século. E a viagem deu certo.