Irré
Myiarchus swainsoni
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 8
Tem passarinho que nem os estudiosos conseguem reconhecer direito só de olhar. O irré é um deles: existe um punhado de primos quase idênticos a ele, todos pardos com a barriga amarelada, e a cara de um é a cara do outro. Aí como é que se descobre quem é quem? Pelo grito. O irré se apresenta pela voz, forte e repetida, como quem diz o próprio nome de longe.
Ele é do time dos papa-moscas. Fica sentado num galho aberto, bem ereto, de olho em tudo. Quando um inseto passa voando, ele sai num voo curto, pega no ar e volta pro mesmo lugar, como se nada tivesse acontecido. Quando dá vontade de sobremesa, come uma frutinha também.
E na hora de fazer ninho ele não constrói nada do zero. Vai procurar um buraco pronto: oco de árvore, furo em poste velho e até casa de cupim pendurada no galho. Acha o buraco, arruma por dentro e pronto, virou berço. E ai de quem chegar perto, porque ele defende a entrada com valentia.
Essa foto fiz na rua de casa, aqui em Maresias. Ele estava num galho, naquela pose ereta de quem vigia o mundo.
Ele também não fica o ano todo no mesmo lugar: em parte da vida viaja atrás de calor e de inseto, indo e voltando conforme a estação.
Então fica a dica de detetive: se você vir um passarinho pardo de barriga amarela e não souber quem é, espera ele falar. Com o irré, é a voz que conta a verdade.