Chuva-de-ouro
Gomesa flexuosa
- Grupo
- Plantas · orquídea
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 3
Dezenas de flores numa haste só, e quase nenhuma vira fruto. Pesquisadores foram contar em populações naturais dessa orquídea e o resultado foi de cair o queixo: de cada cem flores abertas, uma ou duas conseguem formar a cápsula com as sementes. Todo aquele espetáculo, aquele esforço todo, pra um punhado de acertos.
E o espetáculo é bonito de doer. As hastes são longas e arqueadas, e descem cobertas de florzinhas amarelas com manchas cor de canela, tantas juntas que o efeito é de uma cascata dourada pendurada no tronco. Não é à toa que o apelido dela é chuva-de-ouro.
Quem vem visitar não quer néctar. Essa orquídea produz óleo na flor, e as abelhas que aparecem são especialistas em coletar óleo pra levar pro ninho. Tem mais: existe um cipó da mata que floresce na mesma época, com flor amarela parecida, oferecendo o mesmo óleo. As duas plantas dividem a mesma abelha. É como se dois postos da mesma rua combinassem o preço e o cliente circulasse entre os dois.
Ela vive agarrada em tronco e galho de Mata Atlântica, em lugar com ar úmido, boa ventilação e luz filtrada. Bulbos finos, folhas estreitas, touceira arrumadinha que não denuncia nada até chegar a hora.
E a hora é bem marcada: julho, e depois novembro e dezembro. Uma florada no meio do inverno e outra emendando com o verão.
Detalhe de bastidor: durante muito tempo ela foi catalogada com outro nome de família, e só depois de estudos publicados em 2009 é que mudaram a etiqueta dela. Muito colecionador antigo ainda a chama do jeito velho.
Essa foi aqui em Maresias. A Déia parou comigo debaixo da árvore, e a gente ficou os dois olhando aquela cascata amarela balançando sem dizer nada.
Cem flores pra uma dar certo. É por isso que vale parar quando a chuva-de-ouro está caindo.