Rã-touro-americana
Lithobates catesbeianus
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- Guarulhos
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 4
Um boi mugindo de dentro do açude. É isso que parece quando o macho da rã-touro canta: um ronco grave e profundo que rola por cima da água e vai longe. Foi esse mugido que deu o nome a ela, e não tem como confundir com nenhuma rã daqui.
E "daqui" é a palavra-chave dessa história, porque ela não é daqui. A rã-touro veio de fora: foi trazida ao Brasil pra ser criada em cativeiro, como alimento. Só que rã pula, e criação vaza. Aos poucos, ela escapou, se instalou na natureza e foi se espalhando por açudes, represas e brejos de água permanente.
É uma gigante: corpo maciço, verde-oliva com manchas, salto potente, das maiores rãs que você pode encontrar por aqui. Nos machos, a garganta é amarela, e o "ouvido" externo, aquele círculo atrás do olho, é visivelmente maior que o próprio olho.
O problema é o apetite. A rã-touro come tudo o que cabe na boca: insetos, peixes, outras rãs e pererecas, até pequenos vertebrados. Onde ela se instala, vira uma concorrente pesada demais pros anfíbios nativos, e ainda pode carregar doenças que afetam as espécies daqui. Até o girino dela é exagerado: pode passar mais de um ano na água antes de virar rã.
Ela não tem culpa de nada, claro: está só vivendo a vida de rã onde a soltaram. A responsabilidade é nossa: não soltar, não transportar de um lugar pro outro, não deixar escapar de criação. Cada rã-touro a menos na natureza é um monte de rãzinhas nativas a mais.
Essa foto eu fiz em Guarulhos, num corpo d'água onde o mugido denunciava a moradora de longe.
Agora você já sabe: se ouvir um "boi" roncando de dentro do açude, não procura chifre. Procura um olhão dourado na beira d'água, e lembra da história da rã que veio pra ficar.