Haddadus
Haddadus
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- Queluz
- Fotografias
- 5
Rã, diz a cartilha, começa a vida como girino dentro d'água. Pois as rãs do grupo Haddadus rasgaram a cartilha: pularam a infância. Elas não têm girino: a fêmea esconde os ovos no chão da floresta, embaixo de troncos e folhas secas, e de dentro de cada ovo sai direto uma rãzinha prontinha, em miniatura, sem nunca ter nadado na vida. Nada de poça, nada de rabinho de girino: o ovo é um aquário particular onde a transformação inteira acontece.
Isso muda tudo pra elas. Enquanto as outras rãs precisam encontrar água pra desovar, essas podem viver longe de brejo e lagoa, no meio do folhiço, aquele tapete de folhas mortas do chão da mata. É lá que a espécie mais comum do grupo, a rã-do-folhiço, passa os dias, vestida de marrom, invisível entre as folhas que imita.
São rãs que só existem no Brasil, moradoras exclusivas da Mata Atlântica. E o nome do grupo é uma homenagem bonita: Haddadus celebra um cientista brasileiro que dedicou a vida a estudar nossos sapos, rãs e pererecas.
Encontrar uma é quase sempre um acidente feliz: você caminha, uma "folha seca" salta na frente do pé, e quando ela para de novo, já sumiu no chão outra vez.
Foi assim com essa foto, numa trilha em Queluz: um pulo no folhiço, uma procurada paciente, e lá estava ela, apostando que eu não ia distinguir rã de folha.
Agora, quando você pisar naquele colchão de folhas secas da mata, lembra que ele não é só chão. É berçário, esconderijo e casa de uma rã que decidiu que dava pra viver muito bem sem piscina.