Gomesa cornigera
Gomesa cornigera
- Grupo
- Plantas · orquídea
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Paúba
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 4
Olha bem no meio dessa flor: tem dois chifrinhos. É uma saliência dura no labelo, a pétala onde o inseto pousa, e ela é tão característica que virou o nome da planta. O nome científico dela significa, mais ou menos, "a que tem chifre".
O engraçado é o tamanho da coisa. A flor inteira é pequena, dessas que cabem na ponta do dedo, e mesmo assim tem detalhe esculpido, chifre, mancha, sombreado. A cor é amarela com manchas cor de canela, e as flores vêm em bando: a haste nasce arqueada e desce carregada de dezenas delas, uma atrás da outra.
Ela cresce em touceira compacta, com bulbos achatados e folhas estreitas, agarrada em ramo bem arejado da Mata Atlântica. Divide o tronco com musgo, líquen, bromélia e um monte de outras plantas penduradas, formando aquele bairro apertado que só uma floresta antiga consegue montar.
Quem chega pra visitar são abelhas pequenas, atraídas pela cor e pelo perfume discreto. Depois, se der certo, a cápsula solta uma nuvem de sementes finíssimas que vão embora com o vento atrás de outro tronco.
O período de floração pega o fim da primavera e o começo do verão, novembro entrando em janeiro, quando o calor e a chuva chegam juntos.
Essa foi na Paúba. A haste estava pendurada num galho baixo, coberta de flor de ponta a ponta, e o vento não deixava ela quieta um segundo: demorei um tempão pra conseguir uma foto em que ela estivesse parada.
Flor pequena assim só entrega o que tem pra quem chega perto. Ajoelha, se precisar.