Gomesa
Gomesa
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Cada flor dessas parece uma bonequinha de saia com os bracinhos abertos. É pequena, amarela, e uma vez que você enxerga a bonequinha não desenxerga mais.
E tem outra surpresa: algumas espécies desse grupo cheiram a limão. Um perfume cítrico, leve, que pega qualquer um desprevenido, porque a flor não tem cara de quem cheira coisa nenhuma.
Elas nascem aos montes. Dezenas de flores na mesma haste arqueada, amarelas com um fundo esverdeado, uma coleção inteira pendurada num galho. Planta bem estabelecida dá cacho atrás de cacho.
Esse é um grupo bem brasileiro. Vive em mata úmida do sul e do sudeste, quase sempre em cima de árvore, e boa parte das espécies é fácil de cultivar, o que fez muita gente se apaixonar por elas. Na natureza é onde estão as mais bonitas, com a vantagem de não precisarem de ninguém pra florir.
O nome do grupo homenageia um médico português, Bernardino Antonio Gomes, e foi dado em 1815, quando quase nada das nossas orquídeas tinha sido descrito ainda.
A que eu registrei em Queluz estava florida em fevereiro, fim do verão, com a mata pingando de tanta chuva.
Cheiro de limão no meio do mato, sem limoeiro nenhum por perto, é pista. Levanta a cabeça. A resposta está nos galhos.