Epidendros
Epidendrum
- Grupo
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- Onde foi registrada
- Queluz
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- 14
Tem orquídea nesse grupo que é caloteira assumida. A flor fica bonita, colorida, parecida com a das plantas da vizinhança que realmente pagam néctar, e espera. A borboleta que já aprendeu aquele vermelho e aquele laranja chega confiante, enfia a tromba lá dentro, não acha nada, e vai embora com o pólen grudado na cara sem ter tomado um gole.
Nem todas fazem isso. Parte das espécies oferece néctar de verdade, guardado no fundo de um tubinho. A outra parte vive só de aparência, empurrada pela fama alheia. E o golpe funciona pouco, poucas flores dessas viram fruto, só que quando funciona já basta.
Tem um detalhe que costura a turma toda. Nessas orquídeas, o lábio da flor é colado na coluna do meio, formando uma peça só. Em vez de ser uma pétala solta, o lábio vira uma calha, um tubinho, e quem quiser o que tem lá dentro precisa entrar por ali. Ou tentar entrar, no caso das caloteiras.
O nome do grupo veio cedo, em 1753, quando Lineu montou a primeira grande lista de plantas do mundo, e veio sem cerimônia nenhuma: quer dizer, ao pé da letra, "em cima da árvore". Naquele tempo se conhecia pouquíssima orquídea, e quase tudo que chegava de terra quente ia parar dentro desse mesmo saco. Com o tempo foram olhando melhor, separando, criando outros grupos a partir dele. Saiu muita gente famosa de dentro. E mesmo depois de tanta divisão, ainda sobraram mais de mil espécies.
As formas variam muito. Tem espécie alta, de haste em cana, dessas que a gente vê em restinga e em beira de estrada, e tem coisa pequena escondida no tronco no meio da mata fechada.
Nas fotos que fiz por aqui, a florada bateu em junho e julho, cheio do inverno.
Boa parte dessas fotos saiu em Queluz. É orquídea que aparece sem aviso, na beira do caminho, e que a gente passa direto se não estiver com o olho treinado.
No fim das contas, o nome é o melhor resumo da história toda: em cima da árvore. Quando uma árvore vai ao chão, nunca cai só ela.