Lavadeira-mascarada
Fluvicola nengeta
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 9
A lavadeira-mascarada é uma nordestina que veio morar no nosso litoral. Durante muito tempo, ela só existia no Nordeste, nos açudes e rios do sertão. Aí, ao longo das décadas, foi descendo o mapa: nos anos 1950 apareceu no Rio de Janeiro, nos anos 1990 chegou ao interior de São Paulo, e hoje já foi registrada até em Santa Catarina. Uma mudança de endereço que os observadores de aves acompanharam ano a ano.
O nome dela vem do jeito: vive na beira d'água e não para de sacudir a cauda, pra cima e pra baixo, como quem bate roupa na pedra. Uma lavadeira de mentira, mas de dedicação total.
E a máscara é de verdade: ela é quase toda branca, elegante, com uma faixa preta cobrindo os olhos, como se estivesse fantasiada pro baile.
O trabalho dela é caçar insetos. Fica em poleiros baixos, perto da água ou do gramado, e sai em voos curtinhos pra pegar a presa no ar ou no chão úmido. Anda em passinhos rápidos, sacode a cauda, voa, volta. Não fica parada nunca.
O ninho é feito de fibras vegetais, em arbustos baixos, quase sempre pertinho da água, e o casal pode criar mais de uma ninhada por temporada quando o ano ajuda.
Essa foto fiz no Perequê, em Ilhabela, onde ela trabalhava na beira d'água sem se incomodar com o movimento.
Quando cruzar com uma ave branca de máscara preta sacudindo a cauda num gramado molhado, lembra: ela é da família das viajantes. O bisavô dela provavelmente morava no sertão.