Figueiras
Ficus
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Indaiá
- Fotografias
- 3
O figo não é uma fruta. Parece, mas não é: ele é um jardim fechado, com as flores todas escondidas do lado de dentro. Quando você abre um figo, aqueles fiapinhos todos são as flores dele, que nunca viram o sol.
Aí vem a pergunta óbvia: se a flor fica trancada lá dentro, quem leva o pólen? A resposta é uma vespinha minúscula, quase invisível, que entra por um buraquinho apertado na ponta do figo. Cada tipo de figueira tem a sua vespinha parceira, uma pra cada, um casamento exclusivo que já dura milhões de anos. Sem a vespa, a figueira não faz sementes. Sem a figueira, a vespa não tem onde viver. Um não existe sem o outro.
Figueira é isso: uma família enorme, com centenas de espécies espalhadas pelos cantos quentes do mundo, várias delas aqui na nossa mata. Algumas começam a vida de um jeito curioso: a semente germina lá no alto, no galho de outra árvore, e a figueira vai descendo as raízes pelo tronco alheio até alcançar o chão.
E tem um motivo pra figueira ser tão querida pelos bichos: ela não respeita calendário. Enquanto as outras árvores dão fruta cada uma na sua época, sempre tem alguma figueira carregando, em qualquer mês do ano. É o restaurante que nunca fecha. Nos dias em que a mata está sem nada, é a figueira que segura a barra de tucanos, sabiás, saíras, araçaris, morcegos e macacos.
Essa da foto encontrei no Indaiá, em Caraguatatuba, firme no seu posto de dar de comer a meio mundo.
Da próxima vez que você comer um figo, lembra: você está mordendo um jardim secreto. E em algum lugar da mata, uma vespinha do tamanho de um cisco está entrando por uma portinha que só ela conhece.