Fruta-pão
Artocarpus altilis
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- Caraguatatuba, Indaiá
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 4
Teve motim de navio por causa dessa árvore. Em 1789 um veleiro inglês, o Bounty, atravessou meio mundo até o Taiti só pra encher o porão de mudas de fruta-pão. A ideia era levar as mudas pro Caribe e usar a fruta como comida barata pra alimentar gente escravizada nas plantações. No caminho de volta a tripulação se revoltou, jogou o capitão num bote e as mudas no mar. Anos depois o mesmo capitão voltou com outro navio e terminou o serviço.
Ou seja: essa árvore não é daqui. Ela vem das ilhas do Pacífico, do outro lado do planeta, onde as pessoas cultivam ela há milhares de anos e foram escolhendo, geração após geração, centenas de variedades diferentes.
E escolheram uma coisa curiosa: boa parte dessas variedades não faz semente nenhuma. Não faz e não precisa. Da raiz brotam mudas novas, que são pedaços da mesma planta. Quando alguém arranca um broto desses e planta em outro quintal, o que nasce lá não é uma filha da árvore, é a própria árvore de novo. Uma planta que não solta semente e mesmo assim deu a volta no mundo, de mão em mão.
No Brasil ela entrou faz mais de duzentos anos, e os pesquisadores até hoje não concordam sobre a data certa nem sobre por onde foi. Hoje a lista oficial da flora brasileira classifica ela como naturalizada, quer dizer, veio de fora, ficou, e se vira sozinha por aqui, principalmente nos quintais do litoral e do Norte.
O tal do "pão" também tem história. Aquela bola verde grandona pendurada no galho não é uma fruta só: é um monte de frutinhas coladas umas nas outras formando um bolo só. Por dentro é massa pura, cheia de amido, do tipo que enche a barriga. Por isso ela é cozida, assada ou frita, e comida como se fosse raiz, não como sobremesa.
Corta um galho e sai leite branco e grudento. É parente de figueira, e todo mundo dessa família sangra esse leite quando se machuca.
Essa eu encontrei no Indaiá, em Caraguatatuba, num quintal de beira de praia, que é exatamente onde ela costuma estar por aqui. Ninguém plantou por acaso: alguém trouxe, alguém cuidou, e a árvore ficou.