Eurystyles
Eurystyles
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- Queluz
Teve uma orquídea desse grupo que passou quase cinquenta anos sem ninguém achar. Ela estava lá o tempo todo, na mesma mata, só que no alto dos troncos, pequena demais pra chamar atenção de alguém lá de baixo. Precisou de um furacão derrubar galho e trazer tudo pro chão pra que finalmente reparassem nela.
Dá pra entender a confusão. Essas plantas não parecem orquídea nenhuma. Formam uma rosetinha de folhas achatada contra o tronco, de uns quatro centímetros no total, com folhas grossas, brilhantes, cinza-esverdeadas, com nervuras curvas bem marcadas. De longe parece bromélia miniatura, ou um musgo mais graúdo.
As flores nascem no meio da roseta e ficam penduradas pra baixo, dez ou vinte de uma vez, brancas e em formato de tubinho, todas abrindo mais ou menos juntas. E vêm embrulhadas em folhinhas de proteção com pelo na borda, o que deixa o conjunto com jeito de novelo.
O detalhe curioso é que elas não têm néctar que se detecte, nem cheiro que o nariz da gente consiga sentir. A suspeita dos pesquisadores é que enganam o visitante, prometendo sem entregar. E, quando ninguém aparece, a flor fica aberta esperando por quatro, seis semanas. Pra flor de orquídea, isso é uma paciência enorme.
Por aqui elas apareceram floridas em vários meses diferentes, do outono à primavera, com registros de abril a novembro.
Essa eu achei em Queluz, numa árvore embaixo da qual eu já tinha passado antes. Estava na altura do meu olho, e mesmo assim demorei pra enxergar.
É bom saber que existe esse tipo de coisa por aí: planta do tamanho de uma moeda, escondida à vista de todo mundo. E com todo o tempo do mundo. Enquanto a gente passa sem ver nada, a flor fica ali, aberta, semana após semana, esperando que alguém apareça. Quase sempre quem aparece é um inseto. De vez em quando é alguém que resolveu olhar com calma.