Dichaea

Dichaea

Grupo
Plantas
Onde foi registrada
Queluz

Parece uma trança verde pendurada no galho.

As folhas dessas orquídeas nascem em duas fileiras, uma de cada lado do caule, do começo ao fim, coladinhas e alternadas. O caule é fino, achatado, e vai crescendo comprido, às vezes passando de trinta centímetros, sempre caído pra baixo. O resultado lembra espinha de peixe, ou trança feita com capricho, e não lembra em nada uma orquídea de vaso.

O nome do grupo diz exatamente isso. Vem da palavra grega pra "em duas", por causa dessas fileiras de folha.

E tem outra diferença importante: elas não fazem aquele bulbo gordo que a maioria das orquídeas usa de despensa pra guardar água. Vivem sem reserva nenhuma, contando com o que o ar traz de umidade, e por isso ficam sempre em lugar sombreado.

As flores nascem sozinhas, uma em cada ponto do caule, pequenas, geralmente claras com pintas azuladas ou arroxeadas. Vão abrindo aos poucos, ao longo do caule inteiro, nunca todas de uma vez.

A parte esquisita vem depois da flor. Em boa parte dessas espécies o fruto nasce coberto de espinhos ou de cerdas duras, uma bolinha eriçada pendurada no meio das folhas. Tem espécie do grupo que ganhou nome por causa disso mesmo, do fruto espinhento.

Essa eu fiz em Queluz, no fim do ano, entre novembro e dezembro, que é quando encontrei as floridas.

Quem manda nelas, no fundo, é a neblina. Onde a névoa volta todo dia e a folhagem nunca seca de vez, elas ficam, uma trança pendurada em cada galho. Onde a mata rala e o ar esquenta, são as primeiras a sumir, sem alarde nenhum. Por isso, achar uma dessas balançando é sinal de mata inteira, e não só de uma planta bonita.

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