Cycloramphus
Cycloramphus
- Grupo
- Anfíbios
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 4
Existe girino que não vive nadando. Em várias espécies das rãs do grupo Cycloramphus, os filhotes crescem grudados nas pedras úmidas ao lado de cachoeiras e riachos, molhados pelos respingos, sem ficar submersos como os girinos comuns. A boca deles funciona como uma ventosa que segura na rocha, e ali eles vão crescendo, colados na pedra, no vaivém da água que espirra.
Os cientistas contam que esse jeito raro de criar filhote surgiu uma única vez na história do grupo, a partir de um ancestral que já testava a vida fora d'água. Deu tão certo que virou uma das marcas dessa turma.
As rãs adultas seguem o mesmo estilo discreto: são bichos de serra e de relevo acidentado, quase sempre pertinho de água corrente, com uma camuflagem tão boa que algumas espécies só foram descobertas há pouco tempo, escondidas à vista de todo mundo. A maior variedade delas está justamente aqui, no sudeste e sul do Brasil, no coração da Mata Atlântica.
Sobre cada espécie em particular ainda se sabe pouco: são bichos difíceis de achar e de estudar. O certo é que dependem do que as serras daqui têm de mais precioso: nascente limpa, cachoeira viva e mata em volta segurando a umidade.
Essa foto fiz aqui em Maresias, num paredão molhado ao lado de uma queda d'água, o endereço clássico da família.
Por isso, cachoeira boa merece dois olhares: um pra água caindo, outro pra pedra molhada da beirada. É ali, no borrifo, que essa família esconde a creche.