Guaxe
Cacicus haemorrhous
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 19
O guaxe escolhe os vizinhos com cuidado: ele gosta de construir o ninho perto de casa de marimbondo. De propósito. As vespas bravas ali do lado funcionam como seguranças de plantão: bicho que pensa em roubar ovo de guaxe desiste rapidinho quando percebe quem mora na porta ao lado.
E o ninho em si já é uma obra. O guaxe tece uma bolsa comprida, pendurada num galho alto, balançando no vento. E como ele vive em colônia, não é um ninho só: é um cacho deles, várias bolsas penduradas na mesma árvore, um condomínio suspenso e barulhento.
De longe ele parece só um pássaro preto de bico claro e pontudo. Aí ele abre as asas ou levanta voo, e pronto: acende um vermelho vivo na base das costas, como uma lanterna que estava apagada. É a assinatura dele.
A turma vive em movimento. Chegam ruidosos numa árvore carregada de frutos, penduram-se nos galhos, conferem flores e bromélias atrás de inseto e néctar, soltam assobios e uns estalos metálicos, e de repente vão embora, deixando a copa em silêncio.
Nesse vai e vem todo, o guaxe vai espalhando as sementes das frutas que come, e delas nascem árvores novas. A floresta agradece o serviço de entrega.
Os da foto apareceram no caminho da praia, aqui em Maresias, e foi o vermelho aceso no voo que me fez olhar pra cima. Se você achar uma árvore com bolsas compridas penduradas, olha em volta: os donos estão por perto, e talvez os marimbondos-seguranças também.