Biguatinga

Anhinga anhinga

Grupo
Aves
Onde foi registrada
Santa Branca
Status de conservação
Pouco preocupante (LC)
Fotografias
3

Quase toda ave aquática faz de tudo pra não molhar as penas. A biguatinga faz o contrário: as penas dela se encharcam de propósito. Molhada, ela fica pesada, e aí consegue afundar devagarinho e nadar quase toda submersa, escorregando por baixo d'água atrás dos peixes sem fazer alarde.

É desse jeito que nasce a cena mais famosa dela: o corpo inteiro afundado e só o pescoço comprido de fora, serpenteando na superfície. Parece uma cobra nadando. Tanto que um dos apelidos dela é exatamente esse: ave-cobra.

A caçada termina em golpe de esgrima. O pescoço dispara como uma mola e o bico pontudo espeta o peixe, atravessado mesmo, como um arpão. Depois ela sobe, ajeita o peixe e engole.

Só que a conta chega: com as penas ensopadas, voar e se aquecer fica difícil. Por isso a biguatinga tem aquela pose clássica de estátua, empoleirada num galho seco com as asas abertas ao sol, secando a roupa depois do expediente. É um dos retratos mais bonitos dos rios e lagoas brasileiros.

Os machos são escuros com reflexos metálicos e desenhos prateados nas asas; fêmeas e jovens têm o pescoço castanho claro. Na hora de criar os filhotes, ela costuma se juntar a colônias com garças e biguás, todos aninhados sobre a água, longe do alcance dos predadores de chão.

Essa encontrei em Santa Branca, numa área de água mansa, do jeito que ela gosta.

Fica o jogo pra próxima beira de rio: procura um galho seco com uma ave parada de asas abertas, paradona, como se estivesse pendurada no varal. Achou? É ela, secando as penas que molhou de propósito.

Biguatinga (Anhinga anhinga), aves, fotografado em Santa Branca Biguatinga (Anhinga anhinga), aves, fotografado em Santa Branca Biguatinga (Anhinga anhinga), aves, fotografado em Santa Branca

Mais em Aves

Fechar × ‹ ›