Assa-peixes
Vernonanthura
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Fotografias
- 7
O que parece uma flor branca no assa-peixe são centenas de flores.
Cada bolinha daquele buquê já é um buquê. Dentro dela vão umas vinte flores minúsculas, cor de creme, espremidas uma do lado da outra, cada uma com seu próprio pólen. De longe você jura que está vendo uma florzinha só, e está vendo vinte. É o velho truque da família do girassol e da margarida: o que parece uma flor sempre foi um ramalhete disfarçado. Só que os assa-peixes fazem isso aos milhares, e um pé florido, visto da estrada, parece coberto de espuma.
Vale o aviso honesto: essa página é do grupo todo, dos assa-peixes, que são um monte de parentes muito parecidas entre si. O que se conhece bem é o comportamento delas como grupo.
E o que se conhece é que abelha ama. Os assa-peixes entram nas listas de plantas que dão mel levantadas por pesquisadores brasileiros, e quem cria abelha conhece essa planta pelo nome. É que a florada vem no inverno, justo quando falta flor no mato, e uma colmeia inteira atravessa a época magra comendo assa-peixe.
Quando a festa acaba, o branco muda de função. Cada semente ganha um tufo de pelos na ponta, igual a um paraquedas pequeno, e vai embora no vento. É por isso que eles aparecem sozinhos em qualquer terreno aberto, sem ninguém plantar nada.
E aqui está a parte bonita. Os assa-peixes são das primeiras plantas a nascer quando abre um clarão na mata ou quando um pasto é abandonado. Crescem rápido, fazem sombra, seguram o chão. Nessa sombra começam a brotar as árvores lentas, aquelas que vão viver cem anos ali. Quando essas árvores crescem e fecham o teto de folhas lá em cima, quem fica na sombra é o assa-peixe.
Essa eu fotografei no caminho da praia, aqui em Maresias.
Ele levanta a casa e depois entrega a chave.