Sennas

Senna

Grupo
Plantas
Onde foi registrada
Ilhabela, Perequê
Fotografias
1

O pólen dessa flor faz ricochete. Os pesquisadores filmaram e mediram: quando a abelha chega, o pó não vai direto nela. Ele sai atirado dos estames de baixo, os palitinhos que guardam o pó, bate numa pétala funda e curvada como uma parabólica, bate de novo, e só depois de quicar algumas vezes é que aterrissa nas costas da abelha. A flor tem uma tabela de rebote, igual à do basquete. Isso já foi descrito pras plantas desse grupo em revista científica, com nome e tudo: polinização por ricochete.

E existe um motivo pra tanta engenharia. Nessas flores não tem néctar. O pagamento é o pólen, e o pólen é justamente o que a planta não quer perder. Então ela dividiu o trabalho: um time de estames fabrica o pó que a abelha leva pra casa e come, e outro time fabrica o pó que precisa chegar inteiro na próxima flor. A abelha acha que está só almoçando. Ela está trabalhando de graça.

Nem é qualquer abelha que consegue. A antera, que é a caixinha onde o pó fica guardado, é fechada, com um furo só na ponta, e ela só solta o pólen quando alguém a sacode. As visitantes desses arbustos são abelhas grandes e barulhentas, mamangavas e parentes, que mordem a caixinha e vibram o corpo até o pó jorrar.

O grupo tem umas duzentas espécies e quase todas são americanas. Só no estado de São Paulo são vinte e quatro. Vão de erva rasteira a árvore, e você já cruzou com várias sem saber: são os fedegosos, as cássias, os mata-pastos e as manduiranas que enchem beira de estrada de amarelo. A flor é sempre amarela e nunca é simétrica: ela puxa pra um lado, como se tivesse sido montada torta de propósito.

Essa eu fiz no Perequê, na Ilhabela, num fim de maio.

Se um dia você ouvir um zumbido grosso e curto dentro de uma flor amarela, chega perto sem espantar. É uma abelha ligando o motor pra fazer o pólen ricochetear.

Sennas (Senna), plantas, fotografado em Perequê, Ilhabela

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