Baunilha
Vanilla
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- Ilhabela, Enxovas
- Fotografias
- 5
Todo sorvete de baunilha do mundo deve um favor a um menino de doze anos.
Em 1841, numa ilha bem longe daqui, tinha uma plantação de baunilha que não dava fruto. As plantas floresciam bonitas e a flor caía sem virar nada. O motivo era simples e ninguém tinha sacado: baunilha é uma orquídea, e a orquídea dependia de um bicho polinizador que só existia na terra de onde ela veio. Sem esse bicho, nada acontecia.
Foi um menino escravizado, chamado Edmond Albius, que resolveu. Com um palitinho, ele levantava a pelinha que separa as duas partes da flor e encostava uma na outra com o dedo. Simples assim. Funcionou, e é exatamente esse gesto, do mesmo jeito, que se usa até hoje em toda plantação de baunilha do planeta. Ele nunca ficou rico com isso e morreu pobre.
Agora, sobre a planta. A baunilha é a única orquídea que virou comida. É uma trepadeira que sobe pelo tronco das árvores soltando raiz nos nós, e aquilo que a gente chama de fava é a vagem dela, cheia daquelas sementinhas pretas em pó.
E aqui no Brasil tem baunilha nativa, mais de trinta espécies delas, subindo de tronco em tronco na mata. Nenhuma virou tempero de mercado, porque o cheiro delas é diferente do que a indústria padronizou. Continuaram na mata, do jeito que sempre foram.
A flor é grande, esverdeada, e tem um dia só de vida. Abre de manhã e murcha antes de escurecer.
Essa eu fotografei nas Enxovas, em Ilhabela, em janeiro. Foi questão de estar no lugar certo na manhã certa, porque de tarde não teria mais nada pra fotografar.
Da próxima vez que sentir cheiro de baunilha num bolo, lembra: aquilo começou numa flor de orquídea que durou um dia, e num menino de doze anos com um palitinho na mão.