Mandacaru-da-praia
Cereus fernambucensis
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- Ilhabela
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endêmica do Brasil
- Sim
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 14
Tem um cacto que mora na praia. Não no sertão, não no deserto: na areia da restinga, aguentando vento, sal e sol o dia inteiro. É o mandacaru-da-praia, um cacto de braços compridos que cresce apontando pro céu.
E ele guarda um segredo que quase ninguém vê: a flor dele é da noite. É uma flor grande, branca, perfumada, que começa a se abrir quando o dia vai embora, no entardecer, e amanhece murchando. Cada flor dura uma noite só. Uma noite, e acabou.
Por que uma flor abriria de noite, se ninguém está vendo? É que o público dela é da madrugada: morcegos e mariposas grandes, que sentem o perfume no escuro e vêm buscar o néctar. Enquanto a gente dorme, a praia tem esse baile particular.
Depois da flor vem o fruto, rosa por fora, de polpa branca e doce por dentro. Aí o turno vira: de dia, aves e até lagartos aparecem pra comer, e saem espalhando as sementes pela restinga.
A gente descia pra praia, aqui em Maresias, quando a Déia parou e perguntou: o que é esse cacto no meio do mato? Era ele, no caminho, do jeito que sempre esteve. Foi dessa vez que fiz essa foto.
Vale reparar nos botões quando cruzar com um desses no meio do mato da praia: um bem gordo, quase estourando, é promessa de festa pra essa noite. Festa que começa quando a gente já foi dormir.