Sabugueiros
Sambucus
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- Campos do Jordão
- Fotografias
- 5
O sabugueiro monta uma bandeja. Centenas de flores sobem juntas e param todas exatamente na mesma altura, formando um prato branco e liso em cima do arbusto, virado pro céu.
Cada florzinha dessas é pequena, branca ou meio amarelada, com cinco pontas. Sozinha, ninguém enxergaria. Alinhadas naquele prato aberto, viram um cartaz para qualquer inseto que passe voando por cima. Os frutos vêm depois e decepcionam de tamanho: bolinhas pretas, miúdas, quase nada perto do tamanho do anúncio.
Antes de continuar, o aviso honesto: essa página é do grupo, dos sabugueiros, e não de uma espécie só. E é justamente aí que mora a parte interessante.
No Brasil existem dois sabugueiros, e eles se parecem demais. Um é nosso: o Sambucus australis nasce sozinho no mato de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, inclusive lá em cima na serra, no meio das araucárias. O outro veio da Europa dentro da mala das pessoas, e hoje aparece registrado em quase todo estado do país, mas quase sempre em quintal, em beira de casa, em terreno mexido por gente.
Ou seja: quando você vê um sabugueiro, ele pode ser um mato brasileiro ou uma lembrança de imigrante. Muitas vezes só um botânico consegue separar os dois.
O que os dois têm em comum é a xícara. Fazer chá com a flor do sabugueiro é costume antigo nas casas daqui, dos que atravessaram gerações e chegaram até hoje sem nunca sair de moda.
Essa eu fiz em Campos do Jordão, que é exatamente o tipo de lugar onde as duas histórias se encontram: serra fria, araucária de um lado e jardim de gente do outro.