Rim-do-mar-do-golfo
Renilla reniformis
- Grupo
- Cnidários
- Onde foi registrada
- (sem local), (cidade / sem bairro)
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
Encosta nesse bicho no escuro e ele acende. Sério: um toque, uma sacudida na água, e ele responde com ondas de luz azul esverdeada correndo pelo corpo, como um letreiro se acendendo no fundo do mar. Os cientistas acham que esse pisca-pisca serve pra assustar e confundir quem chega pra atacar.
De dia, sem luz nenhuma, ele parece outra coisa: uma folha achatada, meio em formato de rim, fincada na areia por um cabinho, em tons de violeta e creme. Parece uma plantinha do fundo do mar. Mas não é planta, e nem é um bicho só: é um monte de bichinhos vivendo grudados, funcionando como um só. Um bichinho grandão vira a folha e o cabo, e uma multidão de bichinhos miudinhos espalhados pela superfície faz o resto do serviço, catando da água as partículas de comida que passam.
E aqui a história fica ainda melhor: a luz desse bicho virou ferramenta de cientista. A receita que ele usa pra brilhar foi copiada em laboratórios do mundo inteiro, onde ajuda pesquisadores a fazer células acenderem de propósito, pra enxergar o que acontece dentro delas. Um bichinho enterrado na areia iluminando a ciência, literalmente.
Nem tudo são luzes, claro. Existe uma lesma do mar listrada que fareja essas colônias na areia e as devora. E quando vem ressaca, o mar arranca muitas do fundo e joga na praia, onde a gente às vezes encontra essas folhinhas roxas perdidas na areia.
Se um dia a gente cruzar com uma dessas à noite, na água rasa, vale a delicadeza de um toque de leve, só pra ver. Tem coisa no mar que responde conversa com luz.