Renilla
Renilla
- Grupo
- Cnidários
- Registros no iNaturalist
- 1404
- Fotos no acervo
- 4
Parece uma folha caída no fundo do mar, achatada e em forma de coração, e não é folha nem é planta: é uma colônia inteira de bichos vivendo grudados uns nos outros.
O nome popular lá fora é amor-perfeito-do-mar, e ele explica bem o formato. Aquele disco carnudo fica meio enterrado na areia, preso por um pé curto, e a superfície toda é coberta de pólipos minúsculos, cada um com oito tentáculos abertos peneirando a água atrás de comida.
Cada pólipo daqueles é um indivíduo. O disco não é um bicho com muitas bocas, são muitos bichos formando um corpo só, com divisão de tarefas: uns comem, outros só bombeiam água para dentro da colônia.
A parte mais impressionante aparece de noite. Se algo encosta nele, o disco acende em ondas de luz azul-esverdeada que correm pela superfície, como se alguém tivesse jogado uma pedra num lago de luz.
Essa luz rendeu ao grupo uma carreira inesperada dentro dos laboratórios do mundo inteiro. A substância que faz o brilho foi isolada e hoje é ferramenta de rotina em pesquisa, usada para marcar células e acompanhar o que acontece dentro delas.
Encontrar um deles na praia é questão de sorte e de maré. Vem com a água, fica um tempo na areia molhada e some de novo, e quem passa distraído jura que pisou numa folha.