Pomacea

Pomacea

Grupo
Moluscos
Onde foi registrada
Santa Isabel
Fotografias
2

Guelra e pulmão ao mesmo tempo: esse caramujo tem os dois. Debaixo d'água, respira com a guelra, como um peixe. Quando o oxigênio da água fica fraco, ele aciona o plano B: o pulmão. E aí vem o melhor truque: ele estica uma dobra do corpo que vira um tubinho, sobe o tubinho até a superfície e respira por ele sem sair da água. Um snorkel de fábrica.

São os caramujos-maçã, uns dos maiores caramujos de água doce que existem, com a concha redonda e grandona que lembra a fruta. Vivem em lagoas, brejos, valas e rios de água calma, sempre com bastante plantinha por perto, que é o prato principal deles.

E na hora dos filhotes, muitos deles fazem uma coisa curiosa: saem da água pra botar os ovos. A mãe sobe num caule ou numa pedra, acima da linha d'água, e deixa ali um cacho de ovinhos com casquinha dura. Fora da água, os peixes não alcançam. Os predadores aquáticos ficam olhando o berçário de longe, sem poder fazer nada.

Esse caramujo também tem uma portinha: uma tampa dura que fecha a entrada da concha quando ele se recolhe. Se a lagoa secar ou o perigo apertar, ele tranca a casa e espera.

Essa foto fiz em Santa Isabel, numa área de água calma cheia de vegetação, do jeito que eles gostam.

Se você vir um cacho de bolinhas grudado num caule na beira de uma lagoa, agora já sabe: é um berçário fora d'água, a ideia esperta de um caramujo que respira de dois jeitos.

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