Góbio-de-estuário-americano
Bathygobius soporator
- Grupo
- Peixes
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 4
Esse peixinho decora o mapa do costão. Quando a maré está alta e a água cobre as pedras, ele nada por cima de tudo memorizando onde fica cada buraco, cada poça, cada depressão. Aí a maré baixa, ele fica preso numa poça, e se um perigo aparece ele faz o impensável: pula pra poça vizinha. Sem ver a poça. De cor. E acerta.
Cientistas testaram isso em experimentos que ficaram famosos. Peixes que não conheciam o lugar erravam quase todos os pulos. Depois de nadar por cima na "maré alta" do experimento, passaram a acertar quase sempre. Ou seja: o amboré carrega na cabeça uma planta baixa do costão inteiro, e é um dos exemplos clássicos de memória em peixes.
O amboré é um góbio marrom, rajado, mestre em fingir que é pedra. Aguenta a poça esquentando no sol, a água mudando toda hora, condições que derrubariam quase qualquer peixe. E ainda é um pai dedicado: os ovos ficam grudados no teto de uma toca, embaixo de pedra, e é o macho quem monta guarda, abanando as nadadeiras pra manter a água fresquinha em volta da ninhada.
Essa foto tem história: eu estava no costão, aqui em Maresias, quando o Kaian me chamou: pai, vem ver um peixe que pulou de uma poça pra outra! Era ele. O dono do mapa, usando o mapa.
Um peixe do tamanho de um dedo, com a memória de um piloto. E morando logo ali, na poça que a gente pisa perto sem nem olhar.