João-bobo
Nystalus chacuru
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Cunha
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 6
Chamaram esse pássaro de bobo. Coitado. O joão-bobo ganhou esse nome porque fica parado no mesmo galho por um tempão, imóvel, e deixa a gente chegar perto como se não percebesse o perigo. Todo mundo achou que era bobeira. Mas não é: é técnica de caçador.
Porque o joão-bobo é um caçador de tocaia. Ele escolhe um poleiro com boa vista, congela, e fica só observando. Quando um gafanhoto graúdo, uma aranha ou até um bichinho maior se mexe lá embaixo, ele se lança num ataque rápido e certeiro, pega a presa e volta pro mesmo galho, retomando a pose de estátua. O "bobo" da história raramente erra o bote.
De aparência, é um personagem: cabeçudo, de bico grosso, com uma máscara escura no rosto e uma mancha branca bem visível na orelha, como um brinco. O dorso é pardo-avermelhado e o peito claro.
E aí vem a melhor parte: a casa dele é um túnel. O casal de joão-bobo cava um corredor comprido num barranco de terra ou até no chão arenoso, revezando no trabalho: um cava, o outro descansa, depois troca. Lá no fundo do túnel, protegidos de tudo, nascem os filhotes, e os dois pais dividem o serviço de criar.
De manhã cedo é a hora dele cantar: um assobio repetido que atravessa o campo, geralmente em dueto com a companheira.
Essa foto fiz em Cunha, na região das roças e campos da serra, ele posou parado no galho, do jeito que a fama manda.
Da próxima vez que alguém te chamar de bobo por ficar quieto observando, lembra do joão-bobo. Às vezes o mais quieto da turma é o que está enxergando tudo.