Chibum
Elaenia chiriquensis
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Cunha
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 3
Tem época do ano em que esse passarinho simplesmente some. O campo que tinha ele cantando amanhece em silêncio, e ele passa meses fora, sem deixar recado. Aí as chuvas voltam, o mato se enche de insetos e frutinhas, e ele reaparece, como quem nunca saiu. É um andarilho que viaja atrás da fartura.
O nome dele é chibum. Curioso, né? É que o canto dele soa exatamente assim, um "chibum" grave que ecoa principalmente no comecinho da manhã. Quem batizou não teve muito trabalho: só escreveu o que ouviu.
E ainda bem que ele canta, porque de aparência ele é um mestre do disfarce. Costas cor de oliva, barriga pálida com um quase amarelo, duas barrinhas claras na asa e uma cristinha discreta que só levanta de vez em quando. Existem vários primos parecidíssimos com ele, e até observador experiente precisa do canto pra ter certeza de quem é quem. A voz é o documento de identidade.
O jeito de caçar é clássico dos papa-moscas: escolhe um poleiro estratégico, fica de tocaia, e quando um inseto passa voando, sai no bote rápido. Deu certo? Volta pro mesmo galho e recomeça a espreita. Quando aparece frutinha madura, ele também não faz desfeita.
Essa foto fiz em Cunha, numa área aberta com árvores esparsas, o cenário preferido dele.
Fica a dica pra treinar o ouvido: madrugar num campo com arvoredos e esperar. Quando um "chibum" grave atravessar o ar, você terá reconhecido um passarinho pela assinatura sonora, que é como os que entendem do assunto fazem. E se um dia o campo ficar quieto, não estranha: ele deve estar viajando, esperando a chuva pra voltar.