Bico-de-veludo
Schistochlamys ruficapillus
- Grupo
- Aves
- Onde foi registrada
- Cunha
- Status de conservação
- Pouco preocupante (LC)
- Fotografias
- 3
Repara bem na cara desse passarinho: ao redor do bico tem uma mancha preta tão escura, tão macia de se olhar, que parece um pedacinho de veludo costurado no rosto. Foi ela que rendeu o apelido de bico-de-veludo. O resto da roupa é sóbrio, em tons de cinza, com a cabeça puxando pro canela. Sob uma boa luz, o contraste da coroa avermelhada aparece, e é ela que dá o nome científico: ruficapillus, cabeça ruiva.
Ele não é passarinho de mata fechada. Gosta de campo aberto, de capoeira, de pasto com arbustos, dessas paisagens de serra onde o olho alcança longe. E tem um costume de vigia: pousa num galho exposto, bem à vista, e fica ali de olho no movimento.
No cardápio, um pouco de tudo: frutas quando tem fruta, insetos quando tem inseto. Essa flexibilidade ajuda ele a atravessar as estações sem aperto, inclusive em lugares que a gente já mexeu, como pastos e capoeiras.
Anda sozinho, em casal ou em pequenos grupos de família, visitando os arbustos carregados de fruta e dando voadinhas curtas atrás de insetos. O casal defende seu cantinho, e o ninho fica escondido na folhagem de um arbusto ou de uma árvore baixa.
Foi em Cunha, terra de campos e nevoeiros, que esse aí posou pra mim: num galho aberto, posando sem saber que posava.
Agora você já sabe o truque pra achar ele: nos campos de serra, não adianta vasculhar a moita, é melhor olhar os galhos mais expostos, onde o vigia gosta de ficar. Um passarinho cinza, de postura fina, com aquele detalhe escuro no rosto. O veludo entrega.