Melastomatoideae
Melastomatoideae
- Grupo
- Plantas
- Onde foi registrada
- Ilhabela, Cambaquara
- Fotografias
- 1
Dá pra reconhecer essas plantas sem ver nenhuma flor. O segredo está na folha: em vez de uma nervura central com galhos saindo pros lados, como na maioria das árvores, aqui saem de três a nove nervuras juntas lá da base, todas curvas, todas correndo pro mesmo ponto na ponta da folha. E entre elas, cruzando de lado a lado, umas nervuras finas que parecem degraus de escada. Uma vez que você vê esse desenho, não desvê mais.
Tem mais um detalhe fácil: as folhas nascem sempre aos pares, uma de frente pra outra, e o par de cima vem virado de través em relação ao de baixo. Olhando o galho de cima, a planta parece montada com régua.
O nome do grupo é uma história de mancha. Ele vem de duas palavras gregas emendadas, uma que quer dizer preto e outra que quer dizer boca. Boca preta. O apelido nasceu do fruto: algumas dessas plantas dão bagas carregadas de pigmento escuro, e quem morde sai com a boca tingida de roxo quase preto, daquelas que não saem fácil.
E o passarinho adora exatamente isso. Um dos parentescos daqui de dentro, o das pixiricas, é um dos maiores do continente e produz bagas às centenas em cada arbusto. Bicho que come fruta vive rondando: come ali, voa pra longe e devolve a semente inteira em outro pedaço de mata. É assim que essas plantas viajam sem sair do lugar.
Neste mesmo grupo estão as árvores que fazem a serra mudar de cor. As quaresmeiras, que acendem o morro de roxo, e os manacás-da-serra, cuja flor abre branca e vai virando rosa forte conforme envelhece, num degradê que os químicos já foram atrás de entender.
Essa fiz em Cambaquara, na Ilhabela, num fim de setembro.
Vale a pena testar no primeiro mato que aparecer. Vire uma folha contra a luz e procure as nervuras curvas saindo da base. Se elas estiverem lá, você acabou de identificar uma família inteira sozinho, sem flor nenhuma pra ajudar.