Água-viva-mármore
Lychnorhiza lucerna
- Grupo
- Cnidários
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Endemismo regional
- Sim
- Fotografias
- 3
Tem caranguejo que passa a infância morando dentro de uma água-viva. É essa aqui a casa: os filhotes de um caranguejo-aranha embarcam nela ainda pequenininhos e vão vivendo agarrados nos braços dela, ou escondidos em dobras do corpo, viajando de carona pelo mar. A água-viva vira berçário flutuante: protege, transporta, e nem parece se incomodar. Quando cresce, o caranguejo desce da carona e vai morar no fundo, como caranguejo adulto que se preza.
E que casa, hein? Essa é a grande água-viva mais comum da nossa costa. O guarda-chuva é opaco, esbranquiçado puxando pro marrom, com desenhos que parecem mármore. E repara numa coisa curiosa: ela não tem aqueles tentáculos compridos na borda. No lugar, descem do centro braços ramificados e cheios de franjas, como um buquê de couve-flor pendurado.
É com esse buquê que ela come: os braços vão peneirando a água e prendendo bichinhos miúdos e camarõezinhos, que escorregam por caminhos internos até o estômago. Em anos bons, quando a água esquenta e tem comida à vontade, elas aparecem em quantidade, várias nadando juntas devagar perto da superfície.
Pra gente, a queimadura dela costuma ser fraca. Mas a regra das águas-vivas continua valendo: olhar sim, encostar não.
Essa foto fiz aqui em Maresias, uma delas nadando lenta no raso, com o sol atravessando o corpo marmorizado.
Da próxima que passar, vale a pergunta: será que essa está levando passageiro? Os pesquisadores que conferiram acharam carona em quase uma a cada doze. Uma água-viva fazendo papel de mãe de aluguel de caranguejo, e o mar seguindo com essas parcerias que ninguém imaginaria.