Barata-do-mar

Ligia exotica

Grupo
Crustáceos
Onde foi registrada
São Sebastião, Maresias
Status de conservação
Não avaliada (NE)
Fotografias
3

O tatuzinho-de-jardim tem um primo que foi morar na beira do mar. E que primo veloz: enquanto o tatuzinho do quintal se enrola em bolinha quando se assusta, esse aí nem sabe fazer bolinha. O truque dele é disparar. Ele corre pelas pedras molhadas numa velocidade que engana o olho, e ainda dá uns pulinhos de pedra em pedra pra despistar quem vem atrás.

O corpo é achatado, cinza rajado, com dois olhões e um par de antenas compridas. De tão ligeiro e escorregadio de pegar, ganhou apelidos meio injustos: barata-do-mar, tatuzão-do-mar. Mas ele não é barata coisa nenhuma: é um crustáceo, da mesma turma do camarão e do tatuzinho do jardim.

Ele vive num endereço curioso: nas pedras acima da linha d'água, onde o mar não cobre, mas os respingos das ondas mantêm tudo úmido. Precisa dessa umidade pra respirar, mas não é de nadar: a vida dele é na pedra seca com cheiro de maresia. De dia se enfia nas fendas; no fim da tarde sai o batalhão, todos raspando das rochas as alguinhas finas e os restos que o mar respingou.

E esse primo praiano virou cidadão do mundo: escondido em navios, foi parar em portos e costões do planeta inteiro. Hoje, em quase todo lugar onde tem pedra e maresia, tem ele correndo.

Essas fotos fiz no costão, aqui em Maresias, tentando ser mais rápido que eles. Perdi quase todas.

Agora você já sabe quem são aqueles vultos cinzentos que somem quando a gente chega perto das pedras. Manda um oi pro primo corredor do tatuzinho.

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