Escorpião-d'água
Lethocerus annulipes
- Grupo
- Insetos
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 4
Entre os maiores insetos aquáticos das Américas, este belostomídeo impressiona pelo corpo largo e achatado, de coloração marrom‑olivácea que mimetiza folhas submersas. As pernas dianteiras são transformadas em braços raptoriais potentes, com os quais agarra presas escorregadias, enquanto o rostro perfurador injeta enzimas digestivas. As asas cobrem bem o abdome, permitindo voos firmes entre corpos d’água, e os olhos grandes garantem boa percepção em baixa luz.
Costuma habitar lagoas, brejos, açudes e trechos de rios de correnteza lenta, onde se esconde entre a vegetação aquática. É amplamente distribuído no Neotrópico, incluindo grande parte do Brasil. À noite, especialmente em épocas chuvosas, pode voar longas distâncias e é frequentemente atraído por luzes artificiais, quando aparece em paredes, postes ou varandas.
Predador de emboscada por excelência, captura desde insetos aquáticos e larvas de anfíbios até pequenos peixes e girinos. A picada defensiva é notoriamente dolorosa, razão de alguns de seus nomes populares. Quando perturbado, pode fingir-se de morto e permanecer imóvel por longos minutos, uma estratégia eficaz contra predadores.
O ciclo reprodutivo é particularmente curioso: diferentemente de outros belostomídeos, as fêmeas depositam os ovos sobre vegetação emergente, fora d’água, e o macho os guarda e hidrata regularmente, garantindo a eclosão bem-sucedida. Essa forma de cuidado parental é um dos comportamentos mais fascinantes do grupo.