Cabeludinha-de-Bates
Evenus batesii
- Grupo
- Insetos · borboleta
- Onde foi registrada
- São Sebastião, Maresias
- Status de conservação
- Não avaliada (NE)
- Fotografias
- 5
Pequena e cintilante, esta borboleta do grupo das “hairstreaks” revela na luz do sol um azul ou verde metálico hipnotizante no lado superior das asas, enquanto o verso é mais discreto, com tons acastanhados e linhas finas que lembram escrita. A borda posterior pode exibir pequenas “caudas”, típicas do grupo, que desviam a atenção de predadores e funcionam como falsas antenas.
Sua distribuição é amazônica e norte-andina, alcançando o Brasil em áreas de floresta úmida. Gosta de bordas de mata, clareiras e trilhas onde a luz penetra, e passa boa parte do tempo na vegetação baixa a média. Apesar de delicada, voa com rapidez em curtas arrancadas, pousando de tempos em tempos para se aquecer e abrir parcialmente as asas.
Os adultos visitam flores para consumir néctar e, ocasionalmente, superfícies úmidas ricas em sais. Em muitos licenídeos, há interações fascinantes com formigas durante o estágio larval (mirmecofilia), em que as lagartas produzem secreções açucaradas e recebem proteção – um tipo de “troca de favores” bastante estudada no grupo. Mesmo quando não observada diretamente para esta espécie, essa possibilidade é uma janela para a complexidade das relações ecológicas nas florestas tropicais.
Nomeada em homenagem ao naturalista Henry Walter Bates, a cabeludinha-de-Bates evoca a era das grandes expedições amazônicas. Fotografá-la é um exercício de paciência: muitas vezes, só uma mudança sutil de ângulo revela o brilho metálico que a torna inesquecível.